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Do Brasil para a Europa: como trabalhar como dentista no exterior
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Se o futebol é um dos nossos “ativos de exportação” mais famosos, a odontologia brasileira certamente segue essa linha no segmento da saúde. Recentemente, o Brasil atingiu uma marca impressionante: ultrapassamos os 450 mil cirurgiões-dentistas registrados no Conselho Federal de Odontologia (CFO). Para se ter uma ideia da magnitude desse número, deixamos para trás gigantes demográficos como os Estados Unidos e a Índia.
Mas não se engane: não estamos falando apenas de quantidade. Estamos falando de uma relevância técnica. Nossas faculdades figuram no topo dos rankings mundiais e a produção científica produzida em solo brasileiro dita tendências de Washington a Tóquio.
Para o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia, essa soberania não é por acaso. “O dentista brasileiro possui uma carga horária prática e uma exposição a casos clínicos de alta complexidade que raramente se vê em outros países. Somos formados para resolver problemas com precisão e estética, o que nos torna profissionais extremamente resilientes e qualificados para o mercado global”, explica o Dr. Frederico.
Essa fama atravessou o Atlântico. Se antes falamos do Brasil como o destino número um para o turismo odontológico, hoje vamos abordar o movimento inverso: quando nossos profissionais altamente qualificados migram para um mercado estrangeiro. Mas, afinal, como um dentista formado aqui pode atuar legalmente na Europa?
O mito do acordo automático
Antes de tudo, um dos maiores erros de quem planeja a carreira internacional é acreditar em “atalhos”. Ao contrário do que reza a lenda urbana dos corredores universitários, não existe um acordo de reconhecimento automático de diplomas de Odontologia entre Brasil e Portugal (ou qualquer outro país europeu).
O processo é rigoroso e individualizado. Segundo o advogado Marcus Damasceno, especialista em validação de diplomas, o sucesso depende da compatibilidade do histórico acadêmico. Em outras palavras, não há um botão de “clonar” o diploma. Cada universidade europeia analisará se o que você estudou no Brasil equivale ao que eles exigem lá.
As duas portas de entrada para a Europa
Atualmente, Portugal se consolidou como a principal “porta de entrada” devido à proximidade linguística e à estrutura de suas universidades. De acordo com informações apuradas junto a especialistas em direito internacional, existem dois caminhos principais:
1. Reconhecimento específico (A via direta, mas rigorosa)
Este caminho é indicado para quem já possui uma formação sólida e quer o direito de exercer a profissão sem necessariamente voltar a cursar disciplinas.
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Como funciona: Após uma análise documental minuciosa, o candidato é submetido a uma prova teórica de 200 questões, com duração de 200 minutos.
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O trabalho final: Em seguida, se aprovado na prova, o profissional deve apresentar e defender um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) perante uma banca portuguesa.
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Resultado: Por fim, a aprovação concede a certidão de reconhecimento, permitindo a inscrição na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) de Portugal.
2. Mestrado Integrado em Medicina Dentária (MIMD)
Muitos dentistas optam por este caminho para obter um diploma europeu nativo, o que facilita a mobilidade para outros países como Alemanha, França ou Espanha.
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Como funciona: O profissional se candidata a uma vaga de mestrado em uma universidade local. A instituição avalia o histórico brasileiro e pode “dar equivalência” a várias matérias.
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Vantagem: Você cursa apenas o que falta (geralmente o estágio clínico final e algumas unidades teóricas), saindo com um título de Mestre que é válido em toda a União Europeia.
O “fator qualidade” do brasileiro no exterior
O Dr. Frederico Coelho ressalta que a especialização é o diferencial que encurta distâncias. “Quando o profissional brasileiro chega na Europa com um título de Mestre ou Doutor, como os que incentivamos na prática clínica de excelência aqui no Brasil, o olhar das instituições muda. A implantodontia brasileira, por exemplo, é respeitadíssima. Isso facilita muito a adaptação e o reconhecimento do mercado de trabalho europeu após a burocracia vencida”, afirma o doutor.
Prazos e custos: Prepare o bolso e o calendário
Não se faz uma transição de carreira transatlântica da noite para o dia. Em média, o processo de validação leva entre 12 e 24 meses.
Em termos financeiros, a transparência é essencial:
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Reconhecimento específico: As taxas universitárias flutuam entre 900 e 1.200 euros.
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Mestrado Integrado: Além de taxas de reconhecimento de nível (entre 75 e 800 euros), o aluno deve arcar com a anuidade escolar, que varia drasticamente entre universidades públicas e privadas em Portugal.
O passo a passo para se tornar um dentista internacional
Então, se você pretende iniciar esse processo ainda em 2026, o tempo é o seu recurso mais escasso. Confira o checklist essencial:
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Organização documental: Reúna histórico escolar detalhado, conteúdo programático das disciplinas (ementas), diploma e certificado de conclusão. Todos devem ser apostilados (Apostila de Haia).
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Escolha da instituição: Pesquise quais universidades portuguesas possuem editais abertos para Reconhecimento Específico ou MIMD.
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Análise de viabilidade: Avalie se sua carga horária brasileira é compatível com a europeia. Diferenças muito grandes podem obrigar o candidato a cursar mais matérias.
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Inscrição e provas: Fique atento aos prazos dos editais. No caso do reconhecimento específico, a preparação para a prova de 200 questões exige estudo focado na bibliografia europeia.
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Defesa de TCC/Dissertação: Prepare-se para defender seu trabalho acadêmico perante um júri internacional.
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Registro profissional: Com o diploma reconhecido, é obrigatório inscrever-se na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). Sem isso, o exercício da profissão é ilegal.
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Regularização migratória: Para quem não tem cidadania europeia, é necessário solicitar o visto de trabalho ou autorização de residência junto à AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo).
Oportunidade com responsabilidade
A demanda por profissionais de saúde na Europa é real, e o dentista brasileiro está no topo da lista de desejos do mercado internacional. No entanto, como bem lembra o Dr. Frederico Coelho, a ética e a técnica devem caminhar juntas. “Levar o nome da odontologia brasileira para o exterior é uma responsabilidade enorme. Por isso, a atualização constante e o planejamento documental são os pilares para quem deseja ter sucesso nessa jornada”, conclui.
Portanto, validar o diploma é, antes de tudo, um teste de resiliência. Mas para quem vem de uma escola que é referência mundial, o destino final — um consultório em Lisboa, Madrid ou Berlim — vale cada página de ementa traduzida.
Fonte: O Globo.
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