CROOL
Dificuldade de abrir a boca após extrair o siso ou tratamentos longos?
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No mundo futebolístico, jogadores superam lesões o tempo todo. Então, a notícia de que uma inflamação de dente pode afetar o desempenho de um atleta de elite soa quase como uma piada. Mas, acredite, é real. No começo de 2025, o astro português Cristiano Ronaldo (CR7) viu seu rendimento em campo ser impactado por um problema bucal que exigiu atenção imediata.
Ele não foi o único. Da mesma forma, o atacante francês Kylian Mbappé também teve sua rotina interrompida ao precisar extrair um dente. O custo? Ficar fora da partida de semifinal da Copa do Rei contra o Real Sociedad. Além disso, no cenário nacional também temos um exemplo. O caso do jogador Caio, da Ponte Preta, é ainda mais emblemático. Depois de sofrer lesões recorrentes sem causa aparente, a descoberta veio da boca: uma inflamação oculta, sequela de uma restauração de canal antiga, era o gatilho para os problemas sistêmicos. A sorte de Caio? O clube tinha o hábito de realizar check-ups odontológicos de rotina.
Esses exemplos do esporte servem como um poderoso holofote sobre uma verdade que, muitas vezes, ignoramos no corre-corre da vida: uma inflamação de dente nunca deve ser subestimada. A boca não é uma ilha. Toda inflamação ou infecção que se instala ali tem um passaporte carimbado para a corrente sanguínea, podendo afetar a saúde geral de maneira silenciosa e perigosa.
“O que esses casos clínicos nos mostram é que a saúde bucal é indissociável da saúde sistêmica. Uma infecção na raiz do dente, como a periodontite apical, é um foco inflamatório que, se não tratado ou se persistir, pode ter consequências que vão muito além da dor localizada, afetando performance física, e potencialmente, a saúde cardiovascular e metabólica”, explica o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico e Mestre e Doutor em Implantodontia.
E é justamente no “se persistir” que a ciência brasileira está mirando com uma lupa. Uma pesquisa de ponta da USP de Ribeirão Preto acaba de trazer um plot twist para essa história: a chave para entender a persistência de algumas inflamações dentárias pode estar no nosso DNA.
A inflamação que tira o sono de atletas e pode estar silenciosamente afetando milhares de pessoas é a Periodontite Apical (PA). Ela é uma inflamação crônica que se instala na ponta da raiz do dente (chamada de periápice), geralmente resultado de uma cárie profunda ou trauma que leva à morte da polpa dental. É o osso ao redor da raiz que sofre com a invasão das bactérias.
O tratamento padrão, e bastante eficaz, é o tratamento endodôntico (o popular “tratamento de canal”). O dentista remove a polpa comprometida, limpa e sela o canal radicular. Na maioria esmagadora das vezes, o problema é resolvido e o organismo inicia a cicatrização.
Mas, como em toda regra, existe a exceção. Em alguns casos, a inflamação teima em ficar, mesmo após um procedimento de canal realizado com a técnica perfeita. É o que a ciência chama de Periodontite Apical Persistente (PAP) ou Periodontite Apical Crônica (PAC).
A pergunta que não quer calar entre os especialistas da Endodontia é: por que alguns pacientes cicatrizam completamente e outros não, apesar de receberem o mesmo tratamento?
Pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Endodontia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, sob a coordenação do professor Manoel Damião Sousa Neto, mergulharam nessa questão e trouxeram uma resposta revolucionária. Eles encontraram pequenas variações na sequência do DNA humano, chamadas polimorfismos genéticos.
Essas variações estão localizadas em dois genes cruciais: um ligado ao controle da inflamação e outro ao metabolismo ósseo. Juntos, eles funcionam como uma espécie de “volume” no sistema imunológico e na capacidade do corpo de reconstruir o osso danificado ao redor da raiz.
O professor Igor Bassi Ferreira Petean, que participou do estudo publicado na revista Archives of Oral Biology, explicou que notaram a diferença nas recuperações dos pacientes, o que sugeria que “fatores individuais, incluindo características sistêmicas e genéticas, poderiam influenciar o prognóstico”.
O estudo analisou o DNA de 423 brasileiros que passaram por tratamento de canal, separando aqueles que cicatrizaram daqueles com PAP persistente. A grande sacada foi focar apenas nos casos em que a falha técnica do tratamento estava descartada.
Gene TNF-α (Controle da inflamação): Pacientes que tinham o alelo A neste gene mostraram um menor risco de desenvolver a PAP. Este alelo está associado a níveis reduzidos de citocinas (as proteínas mensageiras que regulam a intensidade da inflamação), o que, na prática, atenua a resposta inflamatória do corpo.
Gene RANKL (Metabolismo ósseo): Indivíduos com o genótipo TT (duas cópias idênticas do alelo T) neste gene também tiveram menor risco. Essa variante está ligada a uma regulação mais equilibrada da remodelação óssea.
Em resumo, algumas pessoas já nascem com variantes genéticas que as protegem naturalmente contra a inflamação persistente, fazendo com que o corpo “desligue” mais rápido o processo inflamatório e consiga reconstruir o osso de forma mais eficiente após o tratamento.
“A descoberta desses polimorfismos reforça que a suscetibilidade à PAP não é apenas técnica ou microbiológica, mas está profundamente ligada à nossa biologia individual. Isso nos permite vislumbrar um cenário onde o tratamento é adaptado ao perfil genético do paciente,” comenta o Dr. Frederico, especialista que acompanha de perto as inovações na área.
Os pesquisadores observaram que, além dos genes isolados, há um efeito combinado entre TNF-α, TNFRSF1B e RANKL, sugerindo que o risco ou a proteção é resultado de uma rede de genes trabalhando juntos.
A descoberta ainda necessita de validação em populações mais diversas, afinal, a amostra inicial foi de pacientes do Sudeste brasileiro. Contudo, ela não deixa de ser um divisor de águas. Houve um fortalecimento da ideia de que marcadores genéticos podem ajudar dentistas. Dessa forma, é possível identificar, já no início, quais pacientes têm maior ou menor probabilidade de insucesso no tratamento de canal.
Qual o benefício prático?
Protocolos personalizados: Pacientes identificados com maior risco genético de PAP poderiam receber protocolos de acompanhamento mais rigorosos ou terapias adjuvantes (complementares) específicas para modular a inflamação ou o metabolismo ósseo.
Decisões mais seguras: A informação genômica combinada com dados clínicos e radiográficos criará modelos preditivos para apoiar a decisão do dentista, resultando em tratamentos mais eficazes.
E a ciência não para. Em outra frente, pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista (FOA-Unesp) estudam como a combinação de exercício físico e suplementação com Ômega-3 (um ácido graxo anti-inflamatório) pode atenuar a inflamação na raiz do dente.
O estudo pré-clínico (com animais) mostrou que essa dupla poderosa foi capaz de reduzir significativamente a atividade inflamatória e a progressão da destruição óssea causada pela PA. É mais uma prova de que a nossa saúde geral — o que comemos, como nos exercitamos — tem um impacto direto e profundo na saúde bucal.
A PAC, por ser crônica, muitas vezes é assintomática ou apresenta sintomas sutis e intermitentes, o que a torna perigosa. O alerta dos jogadores de futebol é válido: ignorar qualquer sinal de dor ou inflamação bucal é um erro de saúde primária.
Sinais de alerta e formas de identificar a PAC/PAP:
| Característica | Detalhes |
| Dor ao mastigar/morder | Sensibilidade ou dor ao pressionar o dente, que pode ser leve ou intensa. |
| Gengiva inflamada | Presença de inchaço, vermelhidão ou dor na gengiva próxima ao dente afetado. |
| Fístula | Uma pequena bolha ou lesão na gengiva (fístula) que drena pus, indicando que a infecção está tentando sair. |
| Escurecimento do dente | O dente pode apresentar alteração de cor, sinalizando a necrose da polpa. |
| Exame radiográfico | A principal forma de diagnóstico é a radiografia (Raio-X), que revela uma mancha escura na ponta da raiz (imagem radiolúcida), indicando a perda óssea. |
| Revisões periódicas | Muitas vezes, a PA só é detectada em consultas de rotina, antes que o paciente sinta dor. |
Para quem busca o cuidado ideal, que alia a excelência técnica a uma visão de saúde integral e preventiva, o Crool Centro Odontológico é o lugar ideal. “Nossa missão é a odontologia profilática e de precisão. Buscamos as causas, e não apenas o sintoma, orientando sobre a importância da saúde bucal para a performance geral, seja você um atleta ou não,” afirma o Dr. Frederico Coelho.
Não espere a dor ou uma inflamação silenciosa afetar sua qualidade de vida. O futuro da saúde bucal é personalizado e preventivo. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.
Fontes: Metrópoles, Jornal da USP e Agência SP.
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