Cientistas estudando o dente do siso na medicina regenerativa.

Dentes do siso e a nova fronteira da medicina regenerativa

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Sabe aquele dente do siso? Sim, aquele que, para muitos, é sinônimo de inchaço na bochecha, alguns dias de sorvete e associação ao “juízo”? Pois é. Por décadas, o destino de quase 10 milhões de sisos extraídos anualmente (só nos EUA) era o lixo hospitalar. Contudo, a ciência acaba de abrir novas possibilidades para os dentes extraídos e para a medicina regenerativa.

Estudos recentes, incluindo uma pesquisa de impacto publicada na revista Stem Cell Research & Therapy, revelam que o que antes era descarte hoje é visto como um “bilhete premiado” na reconstrução de órgãos e tecidos. O motivo? Dentro daquela estrutura rígida, escondida na polpa dentária, existe um exército de células-tronco com um potencial de transformação digno de filmes de ficção científica.

O salto tecnológico do dente ao neurônio

Pesquisadores da Universidade do País Basco, na Espanha, conseguiram um feito extraordinário: transformaram células da polpa de dentes do siso em células semelhantes a neurônios. Todavia, não para por aí. Esses novos neurônios foram capazes de emitir sinais elétricos — a “linguagem” que o nosso cérebro usa para que possamos pensar, andar e sentir.

Para o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, mestre e doutor em Implantodontia, esse avanço muda completamente a forma como encaramos a cadeira do dentista.

“Sempre vimos o dente como um órgão vital para a mastigação e estética, mas agora ele é oficialmente uma fonte de matéria-prima para a cura de doenças degenerativas. Quando falamos em regenerar circuitos cerebrais danificados, estamos falando em dar esperança para pacientes com Parkinson e Alzheimer usando o próprio material biológico do paciente”, explica o Dr. Frederico.

O que é a Odontogênese e por que a polpa é tão especial?

Antes de tudo, para entender esse fenômeno, precisamos voltar um pouco na biologia. A odontogênese é o processo de formação dos dentes. Ele começa ainda na fase embrionária e é uma dança complexa entre diferentes camadas de células.

O dente não é apenas “osso”. Por dentro, ele possui a polpa dentária, um tecido mole, ricamente vascularizado e repleto de nervos. É ali que moram as Células-Tronco da Polpa Dentária (CTPDs).

Diferente de outras células do corpo que já têm um “emprego fixo” (uma célula da pele só sabe ser pele), as células-tronco da polpa são multipotentes. Elas são como peças de LEGO que podem ser montadas para formar diferentes tecidos:

  • Neurônios: Para tratar lesões cerebrais.

  • Células do músculo cardíaco: Para reparar corações pós-infarto.

  • Tecido ósseo: Para reconstruções complexas.

Por que há uma preferência pelos sisos?

Pois bem, você deve estar se perguntando: “Por que o siso?”. Em suma, a resposta é estratégica. Os terceiros molares costumam ser extraídos no final da adolescência ou início da fase adulta. Nessa etapa, as células-tronco estão no ápice de sua capacidade de divisão e possuem pouquíssimas alterações genéticas acumuladas pelo tempo.

“É um tecido jovem e vigoroso”, pontua o Dr. Frederico Coelho. “Ao contrário das células-tronco embrionárias, que envolvem dilemas éticos profundos, a coleta da polpa do siso é ética e simples, já que o dente seria descartado de qualquer maneira. É o reaproveitamento biológico em sua forma mais pura.”

Uma jornada de décadas: De 2008 a 2026

Além disso, essa revolução não aconteceu da noite para o dia. Assim como sempre frisamos por aqui, a ciência é uma construção de tijolinho por tijolinho (ou dente por dente).

  • Em 2008, dentistas japoneses já faziam história ao extrair células-tronco do siso de uma menina de dez anos. Congelaram o dente por três anos antes de o utilizarem para criar células capazes de tratar problemas no fígado.

  • Em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, cientistas brasileiros da Curityba Biotech investigaram como as células-tronco mesenquimais (encontradas em abundância no tecido bucal) poderiam ajudar pacientes com síndrome respiratória aguda grave. Em outras palavras, o objetivo era reequilibrar o sistema imunológico e reparar danos nos pulmões causados pela tempestade de citocinas do vírus.

Esses marcos mostram que a odontologia e a medicina estão cada vez mais unidas. “No Crool, acompanhamos essas atualizações acadêmicas de perto para orientar nossos pacientes. O dente que extraímos hoje pode ser a base de um tratamento que salvará a vida desse paciente daqui a 20 ou 30 anos”, afirma o fundador do centro odontológico.

O “seguro biológico”: Vale a pena congelar?

Como reflexo disso, com o avanço das pesquisas, surgiram empresas especializadas no armazenamento da polpa dentária em nitrogênio líquido. É a chamada criopreservação , um “seguro biológico”. Dessa forma, caso o doador desenvolva uma doença degenerativa no futuro, ele terá à disposição células jovens e compatíveis (dele mesmo) para terapias personalizadas.

Só para ilustrar, estudos pré-clínicos em modelos animais de Parkinson já mostraram que essas células ajudam a aliviar sintomas motores ao substituir neurônios que produzem dopamina. No caso do Alzheimer, uma pesquisa destacou que elas auxiliam na remoção de placas amiloides, as grandes vilãs da progressão da doença.

Bancos de Dentes Humanos: Como ser um doador?

Por sua vez, se você não pretende congelar seus dentes para uso próprio, saiba que eles ainda podem ajudar a salvar milhares de vidas através da doação para Bancos de Dentes Humanos. Muitas faculdades de odontologia no Brasil possuem esses bancos para fins de pesquisa e ensino.

Como doar?

  1. Dentes de leite: Quando o dente cair, não coloque embaixo do travesseiro para a fada do dente (ou, se colocar, guarde-o depois). O ideal é que o dente seja armazenado em soro fisiológico ou leite e levado rapidamente ao banco de doação.

  2. Dentes extraídos (Sisos): Converse com seu dentista antes da cirurgia. Ele pode orientar sobre o termo de consentimento e a forma correta de transporte para a instituição de pesquisa.

A Odontologia do futuro

Estamos vivendo uma era onde a boca não é mais uma ilha isolada do restante do corpo. A descoberta do potencial regenerativo dos dentes do siso prova que a saúde bucal é um pilar central da longevidade humana.

Instituições que prezam pela excelência, como o Crool Centro Odontológico, caminham de mãos dadas com essas descobertas. Sob a liderança do Dr. Frederico Coelho, o foco deixa de ser apenas “tratar cáries” e passa a ser a preservação da saúde sistêmica e a educação sobre o valor biológico que cada paciente carrega na boca.

Da próxima vez que o seu dentista disser que você precisa tirar o siso, não pense apenas no pós-operatório. Pense que você está carregando, literalmente, as sementes da medicina do futuro.

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