Menina pequena com a língua presa, mulher com uma lupa evidenciando a língua e o cantor João Gomes.

Beijo, fala e amamentação: os impactos da língua presa e a frenectomia

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Você certamente já ouviu — ou até brincou — que alguém “beija mal” ou “fala enrolado” por causa da famosa língua presa. No imaginário popular, a anquiloglossia (nome técnico da condição) costuma ser reduzida a um detalhe curioso ou a um entrave na dicção que rende apelidos na escola. No entanto, o assunto ganhou as manchetes e os consultórios de forma muito mais séria recentemente.

Em agosto de 2025, o cantor João Gomes, um dos maiores nomes do piseiro, revelou ter passado por uma frenectomia lingual. O artista, que já havia evitado o procedimento anteriormente, decidiu encarar a cirurgia para melhorar sua performance vocal. “Isso foi só para melhorar o meu desempenho como profissional. Já deu tudo certo. Se recuperar, cuidar com a fono, e praticar canto com um professor do lado”, revelou o músico ao jornal O Globo.

O caso de João Gomes acende um alerta: quando esse “picotinho” na língua deixa de ser uma escolha opcional para se tornar uma necessidade de saúde e funcionalidade? E por que, especialmente entre os bebês, esse tema tem gerado tanto debate na comunidade médica?

O que é, afinal, a frenectomia?

Para entender a cirurgia, precisamos olhar para o freio (ou frênulo). Todos nós temos essas pequenas dobras de tecido na boca. A frenectomia é, basicamente, o procedimento cirúrgico que remove ou corta esse freio quando ele é curto demais ou se posiciona de forma inadequada.

Existem dois tipos principais:

  1. Frenectomia lingual: Focada no tecido que liga a parte inferior da língua ao “chão” da boca. É aqui que mora a “língua presa”.

  2. Frenectomia labial: Envolve o freio que liga o lábio (superior ou inferior) à gengiva. Quando o freio labial superior é muito grande, ele pode causar o diastema — aquele espaço avantajado entre os dentes centrais — ou dificultar a higienização e o uso de próteses.

De acordo com o Dr. Frederico Coelho, mestre, doutor em implantodontia e fundador do Crool Centro Odontológico, o diagnóstico precisa ser minucioso. “Não é apenas sobre a estética do sorriso, mas sobre como essa estrutura impacta a vida do paciente. No Crool, avaliamos se o freio está limitando movimentos essenciais. Se a língua não consegue tocar o céu da boca, pode acabar comprometendo a fala, a deglutição e até a respiração”, explica o especialista.

A polêmica dos números por trás das cirurgias em bebês

Se para um adulto como João Gomes a decisão passa pela carreira, para os recém-nascidos o cenário é outro. Desde 2014, o “teste da linguinha” tornou-se obrigatório nas maternidades brasileiras por lei federal. O objetivo é detectar precocemente se o freio impede o bebê de sugar o leite materno corretamente.

Os dados impressionam: no SUS, o número de frenectomias saltou de 28.777 em 2021 para 47.619 em 2023 — um aumento expressivo de 65,47%. Nos Estados Unidos, o cenário é similar, com os procedimentos dobrando em apenas dois anos (2012-2014).

Mas esse crescimento divide a ciência. De um lado, o Ministério da Saúde defende a detecção precoce para garantir o aleitamento. Do outro, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já se manifestou contra a obrigatoriedade do exame, argumentando que ele pode levar a cirurgias desnecessárias.

Um relatório recente da Academia Americana de Pediatria (AAP) reforça essa cautela, sugerindo que a popularização do procedimento como “solução mágica” para problemas de amamentação pode ignorar outras causas, como a pega incorreta do bebê.

Intervenção x cuidado: O que dizem os pesquisadores

De acordo com a revista Crescer, estudos das Universidades de Durham e University College London (UCL), no Reino Unido, trazem uma perspectiva humanizada para o debate. Segundo a pesquisa, há uma tendência em enfatizar a intervenção cirúrgica imediata em detrimento de um tratamento baseado no apoio e cuidado continuado.

Para o Dr. Frederico Coelho, o equilíbrio é a chave. “A cirurgia é uma ferramenta poderosa, mas não deve ser a primeira e única opção sem um olhar multidisciplinar. No Crool, defendemos que o dentista deve trabalhar em conjunto com fonoaudiólogos e pediatras. Muitas vezes, o exercício fonoaudiológico prepara o músculo para a cirurgia ou, em casos leves, pode até evitar que ela seja feita sem necessidade real”, pontua o fundador do centro odontológico.

Como é feita a cirurgia e o pós-operatório?

Se o diagnóstico apontar que a cirurgia é o melhor caminho, a boa notícia é que o procedimento é considerado simples e rápido. Ele pode ser realizado com bisturi convencional ou com laser de alta potência — esta última técnica costuma oferecer um sangramento menor e uma recuperação mais acelerada.

O passo a passo geralmente envolve:

  • Anestesia local (em consultório).

  • Incisão e liberação das fibras do freio.

  • Sutura (se necessário, dependendo da técnica).

O pós-operatório exige disciplina. O paciente deve manter uma dieta gelada e macia nos primeiros dias para evitar edemas e desconfortos. No caso de adultos e crianças maiores, a higiene bucal deve ser impecável para evitar infecções.

“O sucesso da frenectomia não termina quando o dentista larga o bisturi”, alerta o Dr. Frederico Coelho. “Especialmente na frenectomia lingual, o acompanhamento com fonoaudiólogo é indispensável. A língua precisa ‘aprender’ a usar sua nova liberdade de movimento. É como uma fisioterapia pós-cirúrgica: você libera o músculo, mas precisa ensinar o cérebro a comandá-lo de forma nova”.

Qualidade de vida em todas as idades

Seja para um bebê que precisa mamar com saúde, um adolescente incomodado com o espaço entre os dentes, ou um profissional que depende da voz, como João Gomes, a saúde bucal deve focar sempre na funcionalidade.

A língua presa não é apenas um detalhe sobre “beijar bem ou mal”, mas sim sobre a liberdade de se comunicar, de se alimentar sem dor e de sorrir com confiança. Se você sente que sua fala trava, que tem dificuldades motoras na língua ou percebe que seu filho tem dificuldades na alimentação, procurar um especialista é o primeiro passo.

No Crool Centro Odontológico, o foco está em oferecer esse diagnóstico ético e preciso. “Nosso compromisso é com o bem-estar do paciente em longo prazo. Se a cirurgia for indicada, faremos com o que há de mais moderno. Se não for, orientaremos o melhor caminho conservador”, finaliza o Dr. Frederico. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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