Homem mordendo uma cabeça de alho.

Alho na boca? Ciência explica como tempero pode ser antisséptico bucal

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A saúde bucal, assim como sempre reforçamos por aqui, é uma porta de entrada crucial para o bem-estar geral. E, em um movimento que nos lembra que as melhores soluções podem estar bem debaixo dos nossos narizes (ou, neste caso, na nossa cozinha), a ciência volta seus olhos para um velho conhecido: o alho.

Recentemente, a notícia de que o alho pode ser uma alternativa natural e potente aos enxaguantes bucais tradicionais agitou o noticiário de saúde. A ideia de usar um ingrediente tão pungente na rotina de higiene pode soar estranha à primeira vista, mas ela se apoia em uma história que estende-se por mais de três milênios.

A história do alho como um remédio da natureza

O alho (Allium sativum) não é apenas um tempero indispensável na gastronomia mundial. Na verdade, ele é um verdadeiro herói das farmácias populares. Só para ilustrar, diferentes culturas e gerações vêm estudando suas propriedades medicinais desde a Antiguidade.

Para se ter uma ideia de sua importância histórica, a autora Robin Cherry, em seu livro Garlic: An Edible Biography, descobriu que a menção mais antiga do alho data de cerca de 3.500 anos, registrada no Papiro de Ebers, um dos tratados médicos mais antigos e importantes do Egito. Este papiro já incluía instruções sobre como usar o alho para tratar uma variedade de males, desde parasitas até problemas cardíacos e respiratórios.

A notoriedade do alho não parou por aí. O próprio Hipócrates, o “Pai da Medicina”, o prescrevia em diversos tratamentos. Pensadores e escritores de peso da Grécia Antiga, como Aristóteles e Aristófanes, também fizeram referências às notáveis propriedades curativas do bulbo.

Afinal, o que explica essa longevidade? Em suma, seus poderosos efeitos antimicrobianos, antivirais e antifúngicos, e é sobre isso que vamos falar aqui.

O alho como uma alternativa à Clorexidina

É com base nessa ancestralidade e poder que pesquisadores da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, se debruçaram sobre o potencial do alho para o cuidado bucal.

O estudo, publicado na prestigiada Revista de Medicina Herbal, trouxe resultados empolgantes. A pesquisa indicou que o extrato de alho demonstrou uma ação antimicrobiana notavelmente semelhante à da clorexidina, uma substância sintética considerada o “padrão-ouro” em antissépticos bucais, frequentemente usada em tratamentos odontológicos específicos.

Mas o que isso realmente significa para a sua boca?

O potencial do alho, se confirmado em mais estudos, pode ser um divisor de águas no tratamento e prevenção de:

  1. Gengivite: A inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa bacteriana.

  2. Doenças periodontais: Condições mais sérias que afetam os tecidos de suporte dos dentes.

  3. Halitose (Mau hálito): Muitas vezes causada pela proliferação de bactérias produtoras de compostos voláteis de enxofre.

A exploração das propriedades do alho não é nova e segue em ritmo acelerado em diversos campos da ciência. Um estudo de 2014, realizado na Universidade de Sydney, na Austrália, reforçou as fortes propriedades antimicrobianas, antivirais e antifúngicas do alho, confirmando o que a medicina popular já intuía há milênios.

Outros testes clínicos já buscaram entender seus efeitos em problemas sistêmicos, como a pressão arterial e o colesterol. Embora os resultados sejam, por vezes, contraditórios – como no estudo de Stanford, que não encontrou reduções significativas no colesterol, e em um pequeno estudo iraniano, que obteve resultados positivos –, a amplitude da pesquisa sobre o alho reforça o interesse científico em seus componentes bioativos. Atualmente, com cerca de 600 variedades de alho, o campo de estudo é vasto.

Microorganismos: O equilíbrio delicado da boca

A descoberta sobre o potencial antimicrobiano do alho levanta uma discussão fundamental na odontologia: o uso de agentes de controle na boca.

Para o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia, a busca por novas alternativas antimicrobianas é sempre relevante, mas é preciso ter discernimento.

“A microbiota oral é um ecossistema complexo e equilibrado. Nossa boca é habitada por milhares de espécies de bactérias e a maioria delas é benéfica ou neutra. O objetivo da higiene bucal não é esterilizar a boca, mas sim manter esse ecossistema em harmonia, controlando a proliferação das bactérias patogênicas, aquelas que causam cárie e doenças periodontais,” explica o Dr. Frederico.

Ele ressalta que substâncias como a clorexidina, embora extremamente eficazes, são de uso pontual, pois o uso prolongado pode desequilibrar a microbiota, manchar os dentes e até alterar o paladar. É aí que o extrato de alho, por ser uma alternativa natural e potencialmente mais suave, pode entrar como um coadjuvante promissor no futuro da higiene bucal profilática.

Superando o “bafo de alho”

É impossível falar de alho sem abordar seu efeito colateral mais famoso: o temido mau hálito, ou “bafo”. A halitose temporária causada pelo consumo de alho se deve justamente aos compostos sulfurosos, como a alicina, os mesmos responsáveis por seu poder medicinal.

Os próprios autores do estudo de Sharjah reconheceram esse paradoxo. Eles comentaram que, embora um enxaguante à base de alho possa causar um desconforto imediato devido ao seu cheiro forte, seus efeitos residuais antimicrobianos parecem durar mais tempo na boca do que os antissépticos tradicionais, sugerindo uma ação prolongada.

Essa observação pode ser a chave para o desenvolvimento de um produto comercial. A engenharia farmacêutica teria o desafio de neutralizar o odor forte enquanto preserva a eficácia da substância ativa. O futuro pode envolver um enxaguante de alho, mas com um sabor e aroma de hortelã.

É crucial, no entanto, manter os pés no chão. Os pesquisadores, apesar do otimismo, reconhecem uma limitação importante: a maioria dos estudos publicados até agora é realizada in vitro (em laboratório) e carece de padronização. É preciso mais pesquisa, com ensaios clínicos robustos em humanos, para confirmar a eficácia, segurança e, principalmente, se o extrato de alho pode, de fato, ocupar o lugar de tratamentos como a clorexidina em certas indicações.

O enxaguante bucal na sua rotina: Usar, não abusar

Independentemente do alho ser ou não o futuro da higiene bucal, o enxaguante bucal já é uma ferramenta importante na sua rotina de cuidado oral.

O enxaguante não substitui a escovação e o fio dental, mas atua como um complemento importante. Ele ajuda a:

  • Alcançar áreas de difícil acesso na boca.

  • Controlar a placa bacteriana.

  • Reforçar o esmalte (quando contém flúor).

  • Proporcionar sensação de hálito fresco (embora não trate a causa do mau hálito).

Como usar o enxaguante corretamente:

  1. Momento certo: O ideal é usá-lo depois da escovação e do uso do fio dental, de preferência em um horário diferente da escovação com pasta fluoretada (por exemplo, usar a pasta de manhã e o enxaguante à noite) para evitar a remoção do flúor residual da pasta.

  2. Medida certa: Use a quantidade recomendada pelo fabricante, geralmente a tampa do frasco.

  3. Tempo certo: Faça bochechos vigorosos por cerca de 30 a 60 segundos (dependendo do produto).

  4. Não enxágue: Após o uso do enxaguante, evite enxaguar a boca com água por pelo menos 30 minutos. Isso permite que os ingredientes ativos ajam por mais tempo.

O Dr. Frederico Coelho reforça que a escolha do produto deve ser orientada: “Existem enxaguantes com flúor, para controle de cárie, sem álcool, para quem tem sensibilidade, e os terapêuticos, como a clorexidina, que só devem ser usados sob prescrição de um dentista para tratar um problema específico por um período limitado.”

Pois bem, enquanto aguardamos os próximos capítulos envolvendo o potencial do alho, a melhor prevenção continua sendo o básico bem feito: escovação, fio dental e visitas regulares ao dentista.

Então, se você busca um atendimento odontológico profilático de excelência ou precisa tirar todas as suas dúvidas sobre o uso correto de enxaguantes e demais métodos de higiene bucal, o Crool Centro Odontológico é o seu destino. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

Fontes: Metrópoles e Folha de S. Paulo.

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