Erick Jacquin segurando uma escova de dentes.

O efeito Jacquin: É possível ter dentes saudáveis sem escovação?

Compartilhe:

Recentemente, a internet brasileira foi pega de surpresa por uma receita, digamos, bastante exótica — e que não saiu de nenhuma cozinha estrelada. Durante sua participação no Flow Podcast, o renomado chef Erick Jacquin, jurado do Masterchef Brasil, realizou uma declaração que rapidamente viralizou e acendeu o debate público:

“Eu não escovo o dente nunca. Não gosto. Eu não ‘fede’ na boca. Meus dentes são bonitos e inteiros. Um pouquinho marrom porque faz tempo que não faço limpeza.”

A fala gerou uma onda de memes, mas também muita preocupação entre profissionais da saúde. Diante da enorme repercussão, o chef usou suas redes sociais para mostrar que decidiu mudar de postura. Ao lado do dentista Anderson Bernal, Jacquin anunciou o início de um tratamento dentário e mandou um recado aos seguidores: “Acabou essa história de não escovar mais os dentes! Como diz meu amigo, vamos nos cuidar, porque saúde não é moda”.

A reviravolta do chef nos lembra de uma verdade crucial: o universo da saúde bucal é repleto de mitos perigosos. O principal deles é achar que a ausência de dor ou de um hálito desagradável significa que está tudo bem. Para entender o tamanho do risco de negligenciar a escova de dentes, conversamos com especialistas e resgatamos a história da própria humanidade para mostrar que um sorriso saudável salva vidas.

Vai seguir a sugestão do chef ou a ciência?

A afirmação de Jacquin de que sua boca “não fede” mesmo sem escovação traz à tona um fenômeno biológico muito comum: a fadiga olfativa. O nosso cérebro se acostuma com os cheiros que produzimos continuamente, o que nos torna incapazes de avaliar o próprio hálito com precisão.

Além disso, dentes “inteiros” não são sinônimo de dentes saudáveis. Para o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia, a falta de sintomas visíveis é a maior armadilha da odontologia.

“Não é porque um problema não é visível ou assintomático que ele deixa de existir e de representar um perigo real. Muitas doenças periodontais agem de forma silenciosa, reabsorvendo o osso que segura o dente sem que o paciente sinta uma única dor, até que o dente comece a amolecer”, alerta o Dr. Frederico Coelho.

Do graveto ao nylon: A jornada da escovação

Se hoje temos irrigadores bucais, cremes dentais com sabores refrescantes e até robôs de higiene bucal, é porque a história mostra que a humanidade sempre deu um jeito de limpar a boca — porque a sobrevivência dependia disso.

  • 3500 a.C. (Os “bastões de mastigar”): Egípcios e babilônios utilizavam galhos de plantas aromáticas com pontas desfiadas para esfregar nos dentes. O famoso miswak, extraído da árvore Salvadora persica, ainda é usado em algumas culturas e possui propriedades antimicrobianas naturais.

  • Século XV (A primeira escova de cerdas): Os chineses inventaram algo mais próximo da escova moderna, fixando pelos rígidos de porcos em cabos de osso ou bambu.

  • 1938 (A revolução do nylon): A empresa DuPont introduziu as cerdas de nylon, tornando o hábito mais higiênico, macio e acessível para a população global.

A evolução desse hábito não foi apenas uma questão de vaidade estética, mas um divisor de águas na expectativa de vida humana. Antes da odontologia moderna e da escovação diária, infecções dentárias graves podiam evoluir para abscessos cerebrais ou mediastinite, levando indivíduos jovens à morte de forma rápida e dolorosa.

O paradoxo das tribos isoladas e a ausência de cáries

Uma dúvida comum quando olhamos para a história é: se os povos antigos e populações tradicionais isoladas (como certas tribos amazônicas, africanas e os aborígenes australianos) não usam pasta de dente comercial, por que muitos deles apresentam dentes excepcionalmente fortes e saudáveis?

A resposta não está em um “milagre” genético, mas sim em fatores ambientais e comportamentais estritos:

  • Dieta ancestral: Essas comunidades possuem uma alimentação completamente livre de açúcares refinados e alimentos ultraprocessados.

  • Alimentos fibrosos: A ingestão de raízes, folhas e carnes duras exige uma mastigação intensa, que promove uma autolimpeza mecânica dos dentes.

  • Higiene natural: O uso de gravetos específicos, folhas com ação adstringente e a fricção mecânica natural ajudam a remover os resíduos biológicos.

O choque com a modernidade

Infelizmente, essa saúde bucal impecável só existe no isolamento total. Estudos antropológicos e de saúde pública demonstram que, assim que ocorre o contato com o “homem branco” e os alimentos industrializados (como bolachas, refrigerantes e doces) entram nas aldeias, a realidade muda drasticamente. Sem o hábito estruturado da escovação moderna para combater o açúcar refinado, essas comunidades sofrem um aumento drástico, severo e rápido no índice de cáries e perdas dentárias.

O efeito dominó da falta de higiene bucal

Quando deixamos de escovar os dentes, criamos o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. O que começa como uma placa bacteriana mole se transforma, em menos de 48 horas, em tártaro (cálculo dental), que só pode ser removido no consultório.

Abaixo, veja como a negligência pode evoluir e afetar o corpo inteiro:

Estágio / problema O que acontece na boca Impacto na saúde geral
Gengivite Inflamação da gengiva provocada pelo tártaro. Causa sangramento ao escovar e vermelhidão. É a porta de entrada para infecções mais graves.
Periodontite A inflamação destrói o osso e os tecidos de sustentação dos dentes. Bactérias caem na corrente sanguínea, podendo agravar doenças cardíacas.
Cárie avançada Destruição do esmalte e da dentina, atingindo o nervo do dente. Dor lancinante, necessidade de canal e risco de infecção generalizada (sepse).
Endocardite bacteriana Bactérias da boca viajam pelo sangue e se alojam nas válvulas do coração. Condição gravíssima com alto risco de mortalidade.

De acordo com o Dr. Frederico, a boca não está isolada do resto do organismo. “Pacientes com diabetes, por exemplo, têm muito mais dificuldade de controlar a glicemia se tiverem uma infecção periodontal ativa. Cuidar do sorriso é, literalmente, cuidar do coração e do corpo inteiro”, explica o especialista.

Falta de escovação ➔ Placa bacteriana ➔ Tártaro ➔ Periodontite ➔ Bactérias no sangue ➔ Riscos cardíacos

O melhor caminho para um sorriso duradouro

O caso do chef Erick Jacquin terminou com um final feliz e consciente, servindo de lição para milhões de brasileiros. A escovação diária (pelo menos três vezes ao dia) combinada com o uso indispensável do fio dental é o tratamento de beleza e saúde mais barato que existe.

No entanto, a escova caseira não alcança todas as regiões da boca. É aí que entra o papel do acompanhamento profissional. O Crool Centro Odontológico destaca-se como o ambiente ideal para quem busca manter a saúde bucal em dia. Com uma infraestrutura de ponta e uma equipe altamente qualificada liderada pelo Dr. Frederico Coelho, o centro é referência em consultas de rotina, orientações personalizadas de higiene bucal e limpezas profiláticas detalhadas — aquelas capazes de remover o tártaro “marronzinho” mencionado por Jacquin antes que ele vire uma doença grave.

Não espere a dor aparecer ou o sorriso mudar de cor para procurar ajuda. Afinal, como o próprio chef aprendeu: saúde não é moda, é prioridade. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

Fonte: O Globo.

Compartilhe:

Posts Relacionados

CROOL - Centro Odontólogico © 2026

Desenvolvido por  Red WebDesign