Grupo de adolescentes sorrindo para ilustrar um artigo sobre Odontohebiatria.

Nem criança, nem adulto: você sabe o que é a Odontohebiatria?

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A adolescência é, por definição, uma fase de transição. É aquele momento da vida em que o corpo estira, a voz muda, os hormônios entram em ebulição e explora-se a identidade. Na medicina, já entendemos que essa é a fase do “nem lá, nem cá”. Em outras palavras, não se é mais criança para ir ao pediatra, nem maduro o suficiente para o clínico geral. Hoje, já sabemos que existe até um especialista para isso, o hebiatra. Mas, e quando abrimos a boca? Bom, aí entra a Odontohebiatria.

Você já parou para pensar que a saúde bucal dos adolescentes também passa por uma revolução silenciosa (e às vezes dolorosa)?

Recentemente, o aumento nos índices de cárie e doenças gengivais nessa faixa etária acendeu o sinal de alerta na comunidade médica. Um levantamento epidemiológico de saúde bucal no Brasil trouxe dados que preocupam: enquanto 37,1% das crianças de 12 anos apresentavam sangramento gengival, esse número saltou para 49,1% nos adolescentes entre 15 e 19 anos.

Então, para entender o que está acontecendo com o sorriso dessa geração e explicar o conceito de Odontohebiatria, conversamos com o Dr. Frederico Coelho, Mestre, Doutor em Implantodontia e fundador do Crool Centro Odontológico.

O que é a Odontohebiatria?

Embora o termo soe meio estranho, sua origem é bem legal. “Hebe”, do grego, significa puberdade (e era também a deusa da juventude). Assim como a odontogeriatria cuida dos idosos e a odontopediatria foca nos pequenos, a odontohebiatria se ocupa exclusivamente do adolescente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência vai dos 10 aos 19 anos. No entanto, na cadeira do dentista, essa fase se estende um pouco mais, acompanhando o desenvolvimento ósseo e dentário final.

“Muitos pais acham que, depois que os dentes de leite caem, o trabalho preventivo acabou. É justamente o contrário. O adolescente vive uma mudança comportamental brusca. Ele passa a comer o que quer na cantina da escola, negligencia a escovação por preguiça ou rebeldia e, muitas vezes, adota hábitos de risco, como o uso de vapes ou piercings”, explica o Dr. Frederico Coelho.

A cronologia do sorriso: O que acontece na boca adolescente?

Para o Dr. Frederico, é fundamental que pais e os próprios jovens entendam que a boca não para de mudar só porque a “Fada do Dente” parou de visitar. A Academia Americana de Odontopediatria divide essa fase em três etapas cruciais:

1. Adolescência Precoce (11 aos 14 anos): Esta é a reta final da troca de dentes. Cerca de 12 dentes de leite dão lugar aos permanentes. Em seguida, por volta dos 12 anos, nasce o segundo molar, completando (teoricamente) a dentição de 28 dentes. É aqui que a higiene costuma falhar. O controle precisa ser rígido, pois dentes recém-nascidos são mais vulneráveis.

2. Média Adolescência (15 aos 17 anos): A estrutura está formada, mas o comportamento é o fator crítico. É o auge da preocupação estética, do uso de aparelhos ortodônticos e, infelizmente, do início de dietas ricas em açúcar e ultraprocessados.

3. Adolescência Tardia (18 aos 21 anos): É a fase dos terceiros molares, os famosos dentes do siso. “O siso começa a se formar lá pelos 4 ou 5 anos de idade, mas é na adolescência tardia que ele resolve aparecer”, pontua Dr. Frederico Coelho.

Nota do Especialista: “Se o adolescente tem entre 14 e 16 anos, é a hora ideal para uma radiografia panorâmica. Nessa idade, a raiz do siso ainda não está completa, o que torna uma possível extração muito mais simples e com pós-operatório tranquilo. Esperar doer ou inflamar aos 20 anos pode tornar a cirurgia mais complexa”, alerta o fundador do Crool.

Os riscos modernos à saúde bucal teen

Se antigamente a preocupação era apenas a bala e o chiclete, hoje o cenário é mais complexo. A Odontohebiatria precisa dialogar com o estilo de vida moderno.

1. Dieta rica em açúcar e ultraprocessados

Refrigerantes, energéticos, salgadinhos e fast-food são a base alimentar de muitos jovens. Embora estudos apontem que o açúcar direto não cause a doença periodontal (gengiva), ele altera o biofilme (placa bacteriana). A união de açúcar + má higiene + alterações hormonais típicas da idade cria o ambiente perfeito para a gengivite.

2. Piercing bucal

É uma prática comum, mas que exige cautela extrema. Desde 1992, a literatura médica relata complicações sistêmicas. “O piercing na língua, lábio ou bochecha é um corpo estranho em constante atrito”, avisa Dr. Frederico. As consequências podem incluir:

O tratamento indicado pelos hebiatras, na maioria das vezes, é a remoção, limpeza com clorexidina e monitoramento.

3. Transtornos alimentares e autoestima

Assim como alertamos, a busca pelo corpo perfeito, amplificada pelas redes sociais, pode desencadear bulimia e anorexia. O vômito frequente (bulimia) traz ácido estomacal para a boca, causando uma erosão química severa nos dentes, que ficam amarelados e fracos. O dentista muitas vezes é o primeiro profissional de saúde a notar os sinais de um transtorno alimentar.

Boca saudável, autoestima elevada

Não dá para dissociar a saúde bucal da saúde mental nessa fase. Um sorriso com mau hálito (halitose), dentes tortos ou amarelados pode ser gatilho para bullying e isolamento social.

“O odontohebiatra não cuida só de dente, ele insere o jovem em um programa educativo. A gente trabalha a estética e a cosmética, que são supervalorizadas por eles, como uma porta de entrada para falar de saúde. Se o jovem quer ter o sorriso bonito para a selfie, ele vai precisar usar o fio dental”, argumenta o Dr. Frederico Coelho.

O check-list da prevenção: O que fazer?

Para os pais e adolescentes que estão lendo, a prevenção vai muito além de “escovar três vezes ao dia”. O cuidado no consultório envolve profilaxia profunda (limpeza) e aplicação de flúor, essencial para fortalecer o esmalte contra os ataques ácidos.

As condições que precisamos vigiar:

  1. Cárie: Ainda é a doença crônica mais comum na juventude e a principal causa por trás da perda dentária no Brasil. Só para ilustrar, mesmo com queda nos índices gerais, 52,9% dos jovens entre 15 e 19 anos ainda sofrem com ela.

  2. Doença Periodontal: Gengiva vermelha, inchada ou sangrando não é normal. É sinal de inflamação.

  3. Erosão Dentária: Causada por refrigerantes, energéticos ou refluxo/bulimia.

  4. Xerostomia (Boca seca): Pode ser efeito colateral de medicações (como as para acne ou antidepressivos) ou respiração bucal.

Saúde bucal da família é no Crool, é lógico

A adolescência é uma fase de descobertas e a saúde não pode ficar em segundo plano. Assim como levamos o carro para revisão antes de uma longa viagem, a adolescência é a “revisão” preparatória para a vida adulta.

Se você tem um adolescente em casa, ou se você é um, lembre-se: cuidar do sorriso não é “coisa de criança”. É atitude de quem quer chegar à vida adulta com saúde e autoestima lá em cima.

Está na dúvida sobre os sisos ou quer avaliar a saúde da gengiva? Que tal agendar uma avaliação especializada? O acompanhamento correto agora evita dores de cabeça (e de dente) no futuro. Cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

Fontes: Jornal Opção e Revista de Odontologia da Unicid.

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