CROOL
Pesquisa da Universidade de Gotemburgo revela que a maioria de nós foca
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No filme “Extraordinário”, o pequeno Auggie Pullman nos ensina que “toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida”. Na vida real, fora das telas de Hollywood, o aplauso que as pessoas com deficiência (PcD) mais buscam não é o da plateia, mas o da inclusão prática. E isso inclui, de forma vital, a saúde bucal e fácil acesso a um dentista para PcD.
Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD): Pessoas com Deficiência 2022, realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam um número impactante: a população com deficiência no Brasil é estimada em 18,6 milhões de pessoas (de 2 anos ou mais). Isso equivale a 8,9% da nossa população nessa faixa etária.
Esses números não são apenas estatísticas, são um espelho que reflete a nossa necessidade urgente de adaptação como sociedade. Se quase um em cada dez brasileiros possui algum tipo de deficiência, por que a ida ao dentista ainda parece uma odisseia para tantas famílias?
É comum que, dentro de uma rotina intensa de cuidados, a saúde bucal acabe ficando em segundo plano. Para uma pessoa com deficiência, as demandas por fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia costumam ser prioritárias. “Muitas vezes, a odontologia só entra em cena quando surge a dor ou a urgência. Mas o sorriso é o portal da nossa saúde sistêmica”, comenta o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico e Mestre e Doutor em Implantodontia.
Essa democratização da saúde bucal é um desafio ético. Para o Dr. Frederico, é preciso entender que a reabilitação de um paciente é incompleta se ele não consegue mastigar corretamente ou se sofre com focos de infecção na boca que podem, inclusive, agravar quadros clínicos sistêmicos.
No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) é o norteador que define a pessoa com deficiência como aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Didaticamente, podemos dividir essas necessidades em categorias que exigem olhares distintos do dentista:
Deficiência Física: Alterações que comprometem a mobilidade e a coordenação motora. Aqui, o desafio pode ser desde o acesso físico ao consultório até o posicionamento na cadeira odontológica.
Deficiência Auditiva e Visual: Barreiras sensoriais que exigem adaptações na comunicação (Libras, guias táteis, comandos verbais mais descritivos).
Deficiência Intelectual: Envolve limitações nas funções cognitivas e adaptativas. O manejo exige paciência, ludicidade e técnicas de condicionamento comportamental.
Deficiência Psicossocial/Mental: Condições que afetam a saúde mental e a interação social, exigindo um ambiente acolhedor e previsível.
Deficiência Múltipla: Quando duas ou mais deficiências estão associadas, demandando um plano de cuidado ainda mais personalizado.
Pessoas com deficiência podem apresentar uma maior suscetibilidade a doenças bucais. Mas por que isso acontece? Segundo o Dr. Frederico Coelho, vários fatores se somam:
Alterações salivares: Muitos medicamentos de uso contínuo (anticonvulsivantes ou antidepressivos) podem reduzir o fluxo de saliva (xerostomia), que é o protetor natural dos dentes contra a cárie.
Dieta cariogênica: Em alguns casos de dificuldade de deglutição, a dieta tende a ser mais pastosa e rica em carboidratos, o que facilita o acúmulo de placa.
Dificuldade de higienização: Limitações motoras impedem que o próprio indivíduo faça uma escovação eficaz, e os cuidadores nem sempre possuem o treinamento técnico para alcançar todas as áreas da boca.
Alterações musculares: Espasmos ou falta de tônus muscular podem dificultar a abertura da boca ou favorecer o acúmulo de resíduos alimentares nas bochechas.
“O manejo desses pacientes começa com uma anamnese detalhada. Precisamos conhecer não apenas a boca, mas o histórico médico, a rotina de medicamentos e, principalmente, a pessoa por trás do diagnóstico”, explica o Dr. Frederico.
Aqui reside um dado que nos faz refletir: segundo o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) com base em dados de 2019, dos 328 mil dentistas inscritos no Brasil na época, apenas 718 possuíam especialização em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais.
Esse abismo numérico mostra que nem a rede pública, nem a privada, contam com especialistas suficientes. É por isso que o papel de centros de referência se torna tão vital.
Em Goiás, o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) é o grande farol. Desde 2013, o serviço de odontologia do Crer atende usuários com deficiência física, intelectual, auditiva ou visual (perfil CER IV). Pelo SUS, o hospital oferece tratamentos em periodontia, endodontia, dentística e pediatria, sendo um modelo de atendimento especializado e humanizado.
Embora o Crer seja a referência máxima em casos de alta complexidade e necessidade de ambiente hospitalar, o fluxo de demanda é altíssimo. Além disso, o centro nem sempre cobre tratamentos de alta complexidade estética ou reconstrutiva, como implantes e próteses dentárias avançadas.
É nesse cenário que clínicas privadas preparadas, como o Crool Centro Odontológico, desempenham um papel social importante. “No Crool, investimos em uma estrutura adaptada para mobilidade e, principalmente, no treinamento da equipe. Nem todo paciente com deficiência precisa de um centro cirúrgico hospitalar, muitos podem e devem ser atendidos em consultório, desde que haja acolhimento e técnica”, pontua o Dr. Frederico Coelho.
O Dr. Frederico reforça que, se a clínica não puder oferecer o tratamento ideal para aquele nível específico de comprometimento, o compromisso ético é guiar o paciente: “Nosso papel é ser um facilitador. Se não somos o melhor lugar para aquele caso específico, sabemos orientar o caminho para quem é”.
Adapte a escova: Às vezes, engrossar o cabo da escova com uma esponja ou usar escovas elétricas pode dar mais autonomia ao paciente.
Foco na língua: A limpeza da língua é crucial para evitar infecções respiratórias em pacientes com baixa imunidade.
Check-ups curtos e frequentes: É melhor ir ao dentista mais vezes para limpezas rápidas (profilaxia) do que esperar um problema grave que exija longas horas na cadeira.
Posicionamento: Se o paciente usa cadeira de rodas, verifique se a clínica possui elevador, espaço de manobra ou se o atendimento pode ser feito na própria cadeira.
A odontologia para pessoas com deficiência não é apenas sobre obturações ou extrações, é sobre garantir que o indivíduo possa se comunicar sem dor, se alimentar com prazer e sorrir com confiança. Como bem diz o Dr. Frederico Coelho, a acessibilidade começa na estrutura física, mas se consolida na atitude do profissional.
Garantir o direito ao sorriso de 18,6 milhões de brasileiros é um dever de todos nós. Afinal, a inclusão só acontece quando não deixamos ninguém para trás — nem mesmo na sala de espera do dentista. Então, cuidado odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.
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