Menina mascando chiclete.

Mascar chiclete faz mal? O que a odontologia moderna diz sobre o hábito

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Se mascar chiclete faz mal, por que a humanidade vem fazendo isso há 10 mil anos? Imagine a seguinte cena: na pré-história, no período Mesolítico, um grupo de adolescentes na região de Huseby Klev, ao norte da atual Gotemburgo, na Suécia, passava o tempo mascando pedaços de resina de bétula. O que parecia ser apenas um hábito cotidiano ou uma técnica para produzir cola de ferramentas, acabou se tornando uma das cápsulas do tempo mais impressionantes da arqueologia moderna.

Esses “chicletes pré-históricos” foram encontrados há cerca de 30 anos ao lado de fósseis humanos. No entanto, foi apenas recentemente, com a publicação de um estudo na revista Scientific Reports, que a tecnologia de mapeamento genético revelou detalhes fascinantes: em uma das gomas, mascada por uma jovem, pesquisadores encontraram bactérias indicativas de um caso severo de periodontite. “Ela provavelmente começou a perder os dentes logo após mascar essa goma. Deve ter doído muito”, comentou Anders Gotherstrom, coautor do estudo.

Dando um salto temporal de dez milênios, saímos da Suécia antiga e pousamos nos laboratórios da USP de Ribeirão Preto. Lá, pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e da Faculdade de Odontologia estão desenvolvendo um estudo clínico clínico inovador com gomas mastigáveis capazes de reduzir o biofilme dentário (a famosa placa bacteriana).

Esses dois cenários — um ancestral e outro futurista — levantam uma questão que ecoa nos consultórios odontológicos há décadas: afinal, o chiclete é um vilão ou um aliado da saúde da boca?

O problema não é o “mascar”, é o açúcar

Ao contrário do creme dental Colgate, durante muito tempo, o chiclete foi o “inimigo número um” dos dentistas. O motivo, porém, não era o ato de mascar em si, mas a composição das gomas de antigamente, carregadas de sacarose e caldas doces que serviam de banquete para as bactérias causadoras da cárie.

“Hoje, a odontologia e a nutrição caminham juntas para mudar essa percepção”, explica o Dr. Frederico Coelho, fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia. Segundo o especialista, a indústria evoluiu para oferecer alternativas que, em vez de prejudicar, auxiliam na proteção dos dentes.

O grande divisor de águas atende pelo nome de xilitol. Diferente do açúcar comum, o xilitol é um adoçante natural encontrado em frutas e vegetais. Sua principal vantagem é a incapacidade de ser metabolizado pelas bactérias cariogênicas (como a Streptococcus mutans). Em termos simples: as bactérias tentam ingerir o xilitol, mas não conseguem transformá-lo em ácido, o que interrompe o processo de erosão do esmalte dentário.

Os superpoderes do xilitol e os benefícios da mastigação

Mascar uma goma sem açúcar, especialmente as que contêm xilitol, oferece uma série de benefícios mecânicos e químicos para a boca. O Dr. Frederico destaca os principais pontos que fazem dessa prática um auxílio terapêutico quando bem orientada:

  1. Estímulo da salivação: O ato de mascar envia um sinal ao cérebro de que há algo na boca, aumentando o fluxo salivar. A saliva é o “detergente natural” da boca, ajudando a neutralizar ácidos e remineralizar o esmalte.

  2. Remoção de resíduos: A consistência da goma ajuda a “grudar” e remover pequenos restos alimentares que ficam sobre a superfície dos dentes após as refeições.

  3. Ação antibacteriana: Como mencionado, o xilitol não alimenta as bactérias e ainda ajuda a reduzir a adesividade da placa bacteriana.

  4. Menos calorias: Além dos benefícios bucais, o xilitol é menos calórico que o açúcar comum, sendo uma escolha inteligente para a saúde geral.

O chiclete como “remédio”?

Pode parecer surpreendente, mas em muitos casos, dentistas utilizam a goma de mascar sem açúcar como ferramenta auxiliar em tratamentos específicos.

Para pacientes que sofrem de xerostomia (boca seca), o chiclete é um estimulante fundamental para manter a umidade bucal. Já em casos de trismo (dificuldade de abrir a boca) ou inflamações nos músculos da mastigação, a goma pode funcionar como um exercício de fisioterapia leve, ajudando na recuperação da mobilidade.

Até mesmo para quem sofre de bruxismo ou tensão mandibular, o uso controlado e pontual pode ajudar a aliviar a pressão, embora cada caso precise de uma avaliação criteriosa para não sobrecarregar a articulação temporomandibular (ATM).

O alerta sobre o hálito: não tente camuflar o sintoma

Um erro comum apontado pelo Dr. Frederico Coelho é o uso excessivo de chicletes para esconder o mau hálito (halitose). “Muitas pessoas compram chicletes mentolados para disfarçar um odor desagradável, mas isso é apenas colocar um curativo em uma ferida que precisa de tratamento”, alerta o fundador do Crool.

A halitose pode ter diversas causas, desde problemas gengivais (como a periodontite vista na jovem de 10 mil anos atrás) até questões estomacais ou falta de higienização da língua. Camuflar o sintoma com chiclete não erradica a causa e pode retardar o diagnóstico de doenças sérias. Se o hálito preocupa, o caminho correto não é a conveniência do mercado, mas a cadeira do dentista.

A regra de ouro: nada substitui o básico

Apesar de todos os avanços científicos, o Dr. Frederico é enfático: o chiclete é um coadjuvante, nunca o protagonista. “Nenhuma goma de mascar, por mais tecnológica que seja, substitui o uso do fio dental e a escovação minuciosa. A saúde bucal é um tripé composto por higiene, boa hidratação e visitas regulares ao dentista“, afirma o especialista do Crool.

Inclusive, o chiclete com açúcar comum, embora menos indicado, ainda pode ter uma pequena função positiva no estímulo salivar em uma emergência onde não há escova por perto, mas o resíduo de açúcar que ele deixa torna o “custo-benefício” pouco vantajoso a longo prazo.

Mas lembre-se: para que a sua história bucal não termine com dores, o acompanhamento profissional é indispensável. Tratamento odontológico? Crool, é lógico. Clique aqui e agende sua avaliação.

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