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Dificuldade de abrir a boca após extrair o siso ou tratamentos longos?
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No universo da saúde, muitas vezes, as doenças mais comuns se escondem atrás de nomes que soam técnicos e distantes. Mas a cárie, essa velha conhecida que afeta quase todo mundo em algum momento da vida, mostra a sua face em variações específicas que ganham até apelidos criativos.
A cárie é um problema antigo, resultado da desmineralização dos dentes causada pelos ácidos produzidos pelas bactérias da boca, que se alimentam dos restos de alimentos (principalmente açúcares e carboidratos). Simples assim. Mas, se a origem é a mesma, por que existem nomes tão diferentes quanto “cárie de mamadeira” e “cárie de radiação”? É justamente nesse contraste que reside uma lição poderosa sobre o cuidado bucal que vai muito além da escovação básica.
Para nos ajudar a explorar esse tema, conversamos com uma das maiores autoridades do país. Para o Dr. Frederico Coelho, especialista em Implantodontia, a nomenclatura específica de cada cárie é um indicador da causa e do público mais afetado. “É a maneira de a odontologia direcionar o foco da prevenção e do tratamento. Quando falamos em ‘cárie de mamadeira’, o foco é a família e os hábitos infantis. Quando mencionamos ‘cárie de radiação’, estamos falando de um cuidado complexo e multidisciplinar em pacientes oncológicos”, explica o dentista.
Imagine a cena: são 3 horas da manhã. O pequeno João, de 1 ano e meio, está chorando. Para acalmá-lo e fazê-lo voltar a dormir, a mãe oferece a mamadeira com leite. Ele se aninha no travesseiro, com o bico do recipiente na boca, e adormece. O alívio é imediato, mas o risco, silencioso e crescente.
O que é a cárie de mamadeira?
A cárie de mamadeira (ou, mais tecnicamente, Cárie da Primeira Infância ou Cárie de Acometimento Precoce) é uma forma grave e rapidamente progressiva de deterioração dental que afeta os dentes de leite de bebês e crianças pequenas, geralmente os dentes incisivos superiores.
O problema não é o leite em si (mesmo o leite materno contém açúcar natural, a lactose), mas sim o contato prolongado do líquido que contém carboidratos fermentáveis (seja leite, fórmula ou suco açucarado) com os dentes, principalmente durante o sono.
Quando a criança dorme, a produção de saliva, que é o nosso detergente natural da boca e tem a função de neutralizar ácidos e remineralizar o esmalte, diminui drasticamente. Com a saliva em baixa e o açúcar “parado” nos dentes por horas, as bactérias têm um verdadeiro banquete. Então, elas acabam produzindo ácidos que corroem o esmalte de forma agressiva. O padrão de destruição geralmente começa na parte mais próxima à gengiva, evoluindo rapidamente.
Agora, mudemos de cenário. Maria, uma paciente de 60 anos, está finalizando um tratamento de radioterapia na região de cabeça e pescoço para combater um câncer. A radioterapia é uma poderosa arma contra a doença. No entanto, como um efeito colateral, ela afeta as glândulas salivares da paciente. Dessa forma, Maria começa a sentir a boca constantemente seca e, meses após o término das sessões, nota que seus dentes estão ficando mais frágeis. Além disso, ela percebe lesões escuras que se espalham rapidamente pela base.
O que é a cárie de radiação?
A cárie de radiação (ou Cárie Induzida por Radiação) é uma consequência temida da radioterapia de cabeça e pescoço. O tratamento, ao atingir a região, pode causar danos irreversíveis ou de longo prazo às glândulas salivares, levando a uma condição chamada xerostomia (boca seca crônica).
É a saliva, como já mencionamos, que protege os dentes. Quando sua produção é severamente reduzida, essa defesa natural colapsa. O pH da boca se torna mais ácido, a capacidade de “lavar” as bactérias e restos de comida diminui, e a falta dos minerais presentes na saliva (como cálcio e fosfato) impede a remineralização natural do esmalte.
O resultado é um processo carioso que é tipicamente agressivo, com lesões que circundam o dente (cáries cervicais) e avançam rapidamente, podendo levar à fratura da coroa em pouco tempo.
Embora afetem grupos de idade totalmente diferentes e sejam causadas por fatores muito distintos (um hábito alimentar inadequado versus uma consequência de tratamento médico vital), a cárie de mamadeira e a cárie de radiação compartilham um ponto central e crucial, de acordo com o Dr. Frederico Coelho:
“Ambas as formas têm em comum a ruptura do sistema de defesa natural da boca, que é a saliva. Na cárie de mamadeira, a saliva está ‘diluída’ e sua produção noturna é baixa, deixando o açúcar agir sem interrupção. Na cárie de radiação, as glândulas são danificadas, e a saliva simplesmente não cumpre sua função protetora de forma eficaz. O desequilíbrio na homeostase bucal, seja por fatores externos (açúcar por longos períodos) ou internos (dano glandular), é o verdadeiro catalisador da destruição rápida do dente”, detalha o Doutor em Implantodontia.
Tabela de comparação rápida
| Característica | Cárie de amadeira (Cárie da Primeira Infância) | Cárie de Radiação (Cárie Induzida por Radiação) |
| Público principal | Bebês e crianças pequenas (0 a 3 anos) | Pacientes que receberam radioterapia na região de cabeça/pescoço |
| Causa primária | Contato prolongado com líquidos açucarados durante o sono (baixa salivação) | Dano às glândulas salivares causado pela radiação (xerostomia) |
| Localização comum | Incisivos superiores (dentes da frente), na região próxima à gengiva | Geralmente circundando o dente (cáries cervicais) ou na raiz (cárie radicular) |
| Progressão | Extremamente rápida (aguda) | Extremamente rápida e agressiva |
| Fator comum | Redução da eficácia ou volume da saliva | Redução drástica da produção de saliva (xerostomia) |
Além das cáries de mamadeira e radiação, a odontologia utiliza outros termos que ajudam a classificar o problema pela sua localização, velocidade de evolução ou recorrência. Conhecer alguns deles ajuda a entender a complexidade do diagnóstico:
Assim como sempre reforçamos, a prevenção é mais poderosa, mais barata e menos dolorosa do que o tratamento. Para enfrentar esses diversos tipos de cárie, o plano de ataque é unificado e focado na rotina, mas com algumas adaptações específicas para os casos extremos.
O Dr. Frederico é categórico: “A base da prevenção da cárie, seja ela qual for, é a tríade: higiene, flúor e dieta controlada, sempre supervisionada pelo dentista.”
Seja para orientar sobre a cárie de mamadeira ou para cuidar de uma cárie recorrente que te incomoda há anos, a busca por um sorriso saudável e livre de dor exige o olhar de especialistas e a tecnologia certa.
O Crool Centro Odontológico oferece uma estrutura completa para a prevenção, diagnóstico e tratamento de todos os tipos de cáries e suas consequências, desde a odontopediatria para orientar os pais sobre a cárie da primeira infância, até a reabilitação oral para casos de cárie de radiação ou lesões complexas.
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